Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Descoberta com patrocínio da Radar...

Domingo, Novembro 08, 2009

O Factor Vara

Passo a transcrever na integra uma crónica escrita por Miguel Sousa Tavares:

"Toda a 'carreira', se assim lhe podemos chamar, de Armando Vara, é uma história que, quando não possa ser explicada pelo mérito (o que, aparentemente, é regra), tem de ser levada à conta da sorte. Uma sorte extraordinária.
Teve a sorte de, ainda bem novo, ter sentido uma irresistível vocação de militante socialista, que para sempre lhe mudaria o destino traçado de humilde empregado bancário da CGD lá na terra.

Teve o mérito de ter dedicado vinte anos da sua vida ao exaltante trabalho político no PS, cimentando um currículo de que, todavia, a nação não conhece, em tantos anos de deputado ou dirigente político, acto, ideia ou obra que fique na memória.

Culminou tão profícua carreira com o prestigiado cargo de ministro da Administração Interna - em cuja pasta congeminou a genial ideia de transformar as directorias e as próprias funções do Ministério em Fundações, de direito privado e dinheiros públicos.
Um ovo de Colombo que, como seria fácil de prever, conduziria à multiplicação de despesa e de "tachos" a distribuir pela "gente de bem" do costume.
Injustamente, a ideia causou escândalo público, motivou a irritação de Jorge Sampaio e forçou Guterres a dispensar os seus dedicados serviços.
E assim acabou - "voluntariamente", como diz o próprio - a sua fase de dedicação à causa pública.

Emergiu, vinte anos depois, no seu guardado lugar de funcionário da CGD, mas agora promovido por antiguidade ao lugar de director, com a misteriosa pasta da "segurança". E assim se manteve um par de anos, até aparecer também subitamente licenciado em Relações Qualquer Coisa por uma também súbita Universidade, entretanto fechada por ostensiva fraude académica.

Poucos dias após a obtenção do "canudo", o agora dr. Armado Vara viu-se promovido - por mérito, certamente, e por nomeação política, inevitavelmente - ao lugar de administrador da CGD: assim nasceu um banqueiro. Mas a sua sorte não acabou aí: ainda não tinha aquecido o lugar no banco público, e rebentava a barraca do BCP, proporcionando ao Governo socialista a extraordinária oportunidade de domesticar o maior banco privado do país, sem sequer ter de o nacionalizar, limitando-se a nomear os seus escolhidos para a administração, em lugar dos desacreditados administradores de "sucesso".

A escolha caiu em Santos Ferreira, presidente da CGD, que para lá levou dois homens de confiança sua, entre os quais o sortudo Dr. Vara. E, para que o PSD acalmasse a sua fúria, Sócrates deu-lhes a presidência da CGD e assim a meteórica ascensão do Dr. Vara na banca nacional acabou por ser assumida com um sorriso e um tom "leve".

Podia ter acabado aí a sorte do homem, mas não.
E, desta vez, sem que ele tenha sido tido ou achado, por pura sorte, descobriu-se que, mesmo depois de ter saído da CGD, conseguiu ser promovido ao escalão máximo de vencimento, no qual vencerá a sua tão merecida reforma, a seu tempo.
Porque, como explicou fonte da "instituição" ao jornal "Público", é prática comum do "grupo" promover todos os seus administradores-quadros ao escalão máximo quando deixam de lá trabalhar.
Fico feliz por saber que o banco público, onde os contribuintes injectaram nos últimos seis meses mil milhões de euros para, entre outros coisas, cobrir os riscos do dinheiro emprestado ao Sr. comendador Berardo para ele lançar um raide sobre o BCP, onde se pratica actualmente o maior spread no crédito à habitação, tem uma política tão generosa de recompensa aos seus administradores - mesmo que por lá não tenham passado mais do que um par de anos.

Ah, se todas as empresas, públicas e privadas, fossem assim, isto seria verdadeiramente o paraíso dos trabalhadores!
Eu bem tento sorrir apenas e encarar estas coisas de forma leve. Mas o 'factor Vara' deixa-me vagamente deprimido. Penso em tantos e tantos jovens com carreiras académicas de mérito e esforço, cujos pais se mataram a trabalhar para lhes pagar estudos e que hoje concorrem a lugares de carteiros nos CTT ou de vendedores porta a porta e, não sei porquê, sinto-me deprimido. Este país não é para todos.

P.S. - Para que as coisas fiquem claras, informo que o sr. (ou dr.) Armando Vara tem a correr contra mim uma acção cível em que me pede 250 000 euros de indemnização por "ofensas ao seu bom-nome". Porque, algures, eu disse o seguinte: "Quando entra em cena Armando Vara, fico logo desconfiado por princípio, porque há muitas coisas no passado político dele de que sou altamente crítico". Aparentemente, o queixoso pensa que por "passado político" eu quis insinuar outras coisas, que a sua consciência ou o seu invocado "bom-nome" lhe sugerem. Eu sei que o Código Civil diz que todos têm direito ao bom-nome e que o bom-nome se presume. Mas eu cá continuo a acreditar noutros valores: o bom-nome, para mim, não se presume, não se apregoa, não se compra, nem se fabrica em série - ou se tem ou não se tem. O tribunal dirá, mas, até lá e mesmo depois disso, não estou cativo do "bom-nome" do Sr. Armando Vara. Era o que faltava! Acabei de confirmar no site e está lá, no site institucional do BCP. Vejam bem os anos de licenciatura e de pós-graduação!!!!! :

Armando António Martins Vara

Dados pessoais:
· Data de nascimento: 27 de Março de 1954
· Naturalidade: Vinhais - Bragança
· Nacionalidade: Portuguesa
· Cargo: Vice-Presidente do Conselho de Administração Executivo
· Início de Funções: 16 de Janeiro de 2008
· Mandato em Curso: 2008/2010

Formação e experiência Académica
Formação:
· 2005 - Licenciatura em Relações Internacionais (UNI)
· 2004 - Pós-Graduação em Gestão Empresarial (ISCTE)

- Site do BCP

Extraordinário... CV de fazer inveja a qualquer gestor de topo, que nunca tenha perdido tempo em tachos e no PS !

Conseguiu tirar uma Pós-graduação ANTES da licenciatura...

Ou a pós-graduação não era pós-graduação ou foi tirada com o mesmo professor da licenciatura, dele e do Eng. Sócrates... e viva o BCP e o seu "bom nome" !!! "

MIGUEL SOUSA TAVARES

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Amor Podre

Em 2005 o aspirante a cantor James Levy namorava com a talentosa cantora indie Regina Spektor.
Parece que a menina Regina não se portou bem durante a relação e deu umas "curvas" com Julian Casablancas, o extraordinário cantor e líder dos The Strokes.
Poucos meses depois Levy lançou o seu 1º album e reservou algumas farpas para os dois...

Há quem diga que o tempo cura tudo e os erros e traições são, mais tarde ou mais cedo, engolidos pelas coisas boas que a vida nos vai reservando.
Talvez este gajo partilhe dessa opinião e por isso mesmo tenha resolvido imortalizar a "coisa".

Não sou fã (nem ando lá perto...) do som de Levy mas aprecio bastante uma musica dele.
Curiosamente chama-se Rotten Love e tem dedicatória;)


Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Valeu

Prometeu e cumpriu!
Seu Jorge acompanhado de 14 músicos (conjuntão pesadão) deu um concertazo bem completo.
Foram 2h10 de festa, dança, mensagem, ritmo, cerveja, suor,... :)
Esta gajo é versátil, tem carisma e abanou o Campo Pequeno sem perdão.
Sente-se a boa onda e o seu rock, funk, samba, rap são sinceros e cativantes.
Foi uma verdadeira festa que tive a sorte de gravar na memória acompanhado por grandes Amigos Farenses.
Parafraseando o artista: "Foi bom demais! Foi classe média alta, topo da cadeia alimentar!"
Deixo aqui uma das minhas favoritas do ultimo álbum....Tá tudo lá!


Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Fisioterapia

Contagem decrescente para poder começar a correr, daqui a 2 semanas... Quero voltar a jogar e já não consigo controlar a ansiedade!

Entretanto tenho usado e abusado da minha Giant Granite de 1996.

Sinto me quase o pirata do Verão Azul.

Redescobri o prazer de andar de bicicleta, regressar a casa a pedalar depois de um mergulho fim de tarde.

Bat for lashes têm me acompanhado...

P.S. - Uma nota final para a vitória do Rio de Janeiro na organização dos jogos Olimpicos de 2016.

Fiquei muito contente, acho que é justíssimo levar os Jogos à América Latina e à Cidade Maravilhosa em particular...

Vi a cerimónia em directo e emocionei-me com aquela comitiva brasileria a chorar de alegria pela oportunidade que tinham acabado de receber...

O discurso de agradecimento do Presidente Lula da Silva desarmou-me por completo.

Até para Portugal foi um resultado positivo. Madrid perdeu e assim, tudo indica que a Espanha vai apostar ainda mais forte na organização conjunta com Portugal do Mundial de Futebol de 2018.

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Autismo futebolês

De dia 7 a 20 deste mês realizou-se na Polónia o Campeonato Europeu de Selecções Masculinas de Basquetebol.
Como se intui facilmente, esta é a competição de basquetebol sénior mais importante que decorre na Europa e onde participam os melhores atletas Europeus espalhados pelas mais competitivas ligas de Basquetebol do Mundo.

A selecção Espanhola começou mal mas progressivamente foi assumindo os jogos e ganhou, sem grande surpresa ou dificuldades maiores, o torneio.
Na final derrotou a jovem selecção Servia (média de idades de 22 anos!), a principal revelação deste torneio.

Para surpresa minha (até me doeu a alma), nenhum dos inúmeros canais televisivos que se conseguem ver por cá emitiu o que quer que fosse relacionado com este campeonato europeu.
Nenhuma transmissão de jogos em directo, jogos em indeferido, resumos, noticias, reportagens, etc...Nada! Zero!

Em sentido inverso, na noite da grande final, vários programas desportivos discutiam pela noite dentro a mediocridade do futebol português espelhada nas analises exaustivas do penalty da mão na bola, do fora de jogo milimétrico, do cartão amarelo que deveria ter sido alaranjado, dos lenços brancos na bancada,...

Infelizmente não é só o futebol português que é medíocre. Os comentadores, a imprensa desportiva e a própria cultura geral relacionado com o desporto em Portugal é medíocre.
Há um gritante autismo que só tem olhos para o futebol...

Fui forçado a ver os jogos em qualidade fraquinha em diferentes sites da Net, saltando de uns para outros consoante a qualidade e velocidade que iam oferecendo.
Enfim...

Dos jogos que vi, houve um jogador que me deslumbrou em particular. O jovem base sérvio Milos Teodosic espalhou classe nos principais jogos... Foi completo e efectivo sem grandes espalhafatos. Sempre calmo, marcou de fora, penetrou, assistiu, fez jogar...

Este jovem de 1.95m, nascido em 1987 joga no Olympiakos Piraeus da Grécia e é treinado (o que explica muita coisa...) por um dos melhores bases da história da modalidade na Europa - o grego Pangiotis Yannakis.

Na meia final contra a equipa da Eslovénia, Teodosic (nº6), levou a equipa às costas, forçou um prolongamento decisivo e partiu a loiça toda.

Tive a sorte de conseguir ver este grande jogo num canal turco.

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

Hora da verdade

A política em geral e a política Portuguesa em particular atravessam um momento menos bom.
A uma semana do dia 27 de Setembro, o debate político que os media nos apresentam tem sido fraco de ideias e vazio em clarificações de projectos importantes para os País.

Fiquei particularmente estupefacto com o aproveitamento político que alguns partidos, sem excepção, fizeram de acidentes de percurso sem qualquer relevância para a vida dos Portugueses.
O uso, até à exaustão, do termo "asfixia democrática" dá-me vontade de rir... Serei só eu que elejo, pelo menos, 100 temas/dossiers mais importantes para o País?

Hoje, durante uma viagem de carro, tive a possibilidade de ouvir sem atropelos, interrupções ou contagem de tempo para resposta, uma entrevista pausada em sentido único à Dra. Manuela Ferreira Leite.


Durante mais de meia hora, o radio clube português deu um queijo e uma faca à líder do PSD.
Confirmei as minhas "piores" expectativas.
Por detrás de um discurso bem articulado, num tom firme que transparece uma ideia de rigor, esconde-se um total vazio de ideias...

Foi confrangedor ouvir uma cassete de 2 ou 3 chavões genéricos e vagos sobre emprego, economia e educação.
Mesmo com o vasto tempo de antena que disponha e, apesar das várias tentativas dos 2 jornalistas, não se soltou do pessimismo retrogrado e não expôs construtivamente o programa de governo que aplicaria em caso de vitória.
Roçou o ridículo ao insinuar que não apresentava projectos e ideias estruturantes para o país porque duvidava da saúde financeira das actuais contas publicas. Falou em arrumar a casa e depois logo se vê....

O discurso só se revelou mais ríspido, personalizado, confiante e fundamentado quando resvalou (e resvalou rapidamente, apesar de se tratar de um monólogo) para o âmbito das telenovelas mexicanas.
Fazer um empolamento destes casos (licenciatura do actual 1º ministro, Freeport, Tvi, alegadas escutas telefónicas ao Presidente da Republica, etc...) revela uma enorme desonestidade intelectual.

Quaisquer que sejam os resultados eleitorais no Domingo, espero muito sinceramente que não passe por qualquer vitória desta Sra.

Não quero imaginar o que seria ser governado por uma economista que apregoa o chavão da competência mas que é incapaz de apresentar uma ideia no plano económico para resolver o que quer que seja.

Não quero imaginar o que seria ser governado por uma política que apregoa o chavão da experiência e passado político mas que foi considerada por muitos uma das piores ministras da educação que já tivemos (ainda se lembram dos cortes orçamentais, esses sim asfixiantes, que esta Sra. introduziu ao sistema educativo?).

Não quero imaginar o que seria ser governado por uma líder que apregoa o chavão da verdade e da liberdade intelectual mas que se ajoelha perante o totalitarismo de Alberto João Jardim e ainda tem o desplante de elogiar afincadamente a liberdade existente na Madeira.

Não estou em campanha, sou totalmente apartidário... Embora correndo o risco de me desiludir, ainda voto induzido pelas principais pessoas e ideias que os partidos transportam.
E a cor laranja, nesta eleição, não me seduz minimamente...
Venha a hora da verdade!