sexta-feira, maio 07, 2010

ilha das Quirimbas

Cansados da caminhada e com bastante fome... Mas a vontade de explorar o "tal canal" onde os miúdos locais mergulhavam à procura de lagostas, camarões e polvos era mais forte naquele momento...
A visibilidade não era perfeita mas já tinha alguma profundidade e vida animal para saciar a nossa imensa vontade de conhecer os segredos do oceano Indico.

Assim que nos viram a rapaziada que pescava aproximou-se, ainda de forma tímida...

Em África (ou pelo menos neste "tipo" de África...) a máquina fotográfica tem um poder transcendental mágico.
A máquina foi o desbloqueador de conversa para falarmos sobre tudo.
Como é lógico e mais que justo (seria quase uma falta de respeito nossa não fazer parte daquele momento mais deles que nosso...) todos quiseram tirar várias fotos. De grupo, individuais, com e sem mascara de mergulho, etc...
.
Quiseram ver as fotos no imediato segundo, saber onde já tinhamos estado e ver todas as fotos da viagem....
Riam-se, riam-se...Riam-se muito. Riam-se com uma inocência desarmante.
Mostrei-lhes as fotos dos meus pais, do meu irmão e do meu cão.
Deliraram com todos os pormenores que as fotos deixavam ver de uma realidade muito diferente.

Mahomed também gostou de momento e delirava (embora de forma mais contida) com as fotos familiares...Mas cumpriu o seu papel de "chefe" da expedição. Lembrou que o almoço já deveria estar pronto. Tinhamos que ir...

As opções eram muito pouco. Ou peixe assado com arroz ou caril de peixe com arroz....Na casa do pescador atacámos o caril como se não houvesse amanha.
Convidámos Mahomed para partilhar o almoço connosco.

Era difícil perceber como aguentaria tantas horas sem comer, mas era precisamente isso que iria acontecer numa situação "normal"...

Com outra força e disposição, demos uma volta pela ilha... A paisagem era semelhante aquela que já tinhamos visto noutros pontos de Moçambique.

Casas com paredes de cana, pedras, cal queimada e terra e telhados de colmo ou folhas de palmeira, ruas de areia e muita criança a brincar... Ao contrário da Ilha de Ibo, sem ser a igreja deixada pelos portugueses e a escola, não existiam casas ou edificações em tijolo (com na maior parte do País).


Os habitantes vivem essencialmente daquilo que pescam. O que não é consumido na altura é seco para mais tarde... Vimos várias estruturas de madeira para secagem do peixe e do polvo.

O fim da tarde aproximava-se com a mesma velocidade com que o sol nascera. Era tempo de preparar a viagem de regresso a Ibo.

Fomos até ao largo junto à costa onde os pescadores se juntavam para negociar um barco que nos levasse de regresso. A maré já estava bem cheia e o caminho impossível de ser feito a pé.

Coincidimos com a chegada dos barcos tradicionais de pesca e com a descarga e distribuição do peixe pelas famílias dos pescadores.

Mahomed estava a ficar nervoso com o escurecer do dia e com a dificuldade em conseguir, por bom preço e fiabilidade, um barquinho para Ibo.

A maioria dos pescadores olhavam para nós sem grande entusiasmo, olhos vermelhos e baços de um dia de mar e da erva que fumavam para aguentar o dia...

É normal passarem um dia inteiro no mar em que o único alimento é uma bebida tradicional feita de aguardente, leite de coco e água.

Conseguimos finalmente um barco de pesca com dois pescadores e uma vela feita de um retalho de vários plásticos.

Mahomed tinha razão em estar nervoso... Mas seguimos!

2 comentários:

João disse...

Excelentes imagens, excelente vivência! Pedro, temos que combinar os dois uma ida a África ou similar . :) ab.
jb

PatoAmarelo disse...

muito giras as fotos!